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4-3-3

Tendo em vista as boas atuações do Liverpool recentemente, gostaria de chamar a atenção para o sistema que tem dado tão certo. Com o 4-3-3 implementado por Rafa Benítez nas últimas partidas, o Liverpool mostra-se um time mais consistente e capaz de criar boas oportunidades. E quando Torres e Gerrard estão em fase excepcional, as coisas ficam ainda mais fáceis.

Antes de entrar em maiores detalhes, uma discussão conceitual: o esquema dos reds tem sido, mais do que em qualquer oportunidade sob o comando de Benítez, um legítimo 4-3-3. Há quem o veja como um 4-5-1, uma vez que são óbvias as responsabilidades defensivas dos pontas Babel e Kuyt. No entanto, a liberdade ofensiva de ambos tem sido proporcionalmente muito maior, talvez devido à consistência de um meio-campo composto por excelentes meias e à segurança da defesa.

Até por isso, alguns jogadores têm subido de produção. Tal como Gerrard, o holandês Ryan Babel mostra sinais mais positivos do grande jogador que pode vir a ser quando jogamos dessa maneira. Acostumado com tal função no Ajax, quando tem a chance de jogar com maior liberdade, Babel cria oportunidades – para si e para seus companheiros – e contribui para o fim da apatia que o time do Liverpool apresentou durante boa parte da temporada. Liberdade semelhante que o capitão Gerrard experimenta – com uma dupla de contenção gabaritada como Mascherano (em fase excepcional) e Xabi Alonso (voltando à velha forma?), ou mesmo o promissor Lucas, as suas qualidades encontram campo livre para trazerem felicidades à torcida do Liverpool. Mesmo sendo um excelente marcador, e com essa característica contribuindo em diversas oportunidades durante as partidas, é pelo centro do meio-campo, podendo subir ao ataque, que Gerrard joga melhor. Brilham os seus passes precisos, seus chutes certeiros, a sua velocidade e suas inteligentes resoluções para quase todas as jogadas do time.

A velocidade de Babel e Gerrard é também um elemento importantíssimo. Nessa mesma temporada, o Liverpool já entrou em campo com um pretenso 4-3-3. Contra o Chelsea na Carling Cup, os reds iniciaram com Voronin pela direita, Babel pela esquerda e Crouch no centro. Se a falta de confiança na época e a postura quase covarde da equipe contribuíram para que tivéssemos um bizarro 4-5-1, também o fizeram a inaptidão para a posição e falta de agilidade do ucraniano. Sem a devida flexibilidade para mesclar de um 4-5-1 sem a bola para um 4-3-3 quando no controle do jogo, o que se tem é um atacante solitário, cuja solução costuma ser a ligação direta. Em outras palavras, a falta de criatividade.

Dirk Kuyt, por sua vez, ainda que não seja um jogador veloz, está acostumado à função, visto que já a exerceu durante o seu tempo na Holanda. E, pelo que já mostrou no Liverpool, ela parece ser ainda mais propícia ao seu futebol. Mesmo quando joga como um atacante central – seja com um parceiro ou sozinho -, o holandês tem como característica voltar muito para buscar jogo e compor a defesa. Muitas vezes, também não recebe o devido crédito. Contra o West Ham, por exemplo, Kuyt foi o responsável por 2 assistências; no futuro, falarão apenas dos gols que ele não marcou nessa temporada (que, sem dúvidas, vinha sendo péssima para o atacante até a partida contra o Barnsley, quando voltou a se exibir em alto nível). Sua combatividade e grande esforço em prol do time, junto da capacidade de jogar pelas pontas (com cruzamentos e jogadas pela linha de fundo), também potencializam determinadas características e têm feito desse esquema tipicamente holandês um sucesso em Liverpool.

No entanto, também é preciso deixar registrada uma crítica a Rafa Benítez. Mais uma vez, os reds parecem encontrar seus melhores dias quando já é tarde demais na temporada e o título é um sonho distante. Muitos dos erros cometidos se deram por tentativas pouco compreensíveis por parte do treinador. Por exemplo, escolhas questionáveis (como Voronin pela direita) frente a opções óbvias (4-3-3 “holandês” com jogadores… holandeses). Ademais, o entrosamento que o Liverpool vem demonstrando nos últimos jogos (sobretudo a dupla Torres & Gerrard) deve-se em certa medida à diminuição do seu sistema de rotação. Escalações não baseadas na meritocracia (um atacante podia fazer 2 gols em um jogo e não ser titular no próximo) e mudanças exageradas fizeram com que o time não tivesse uma cara própria, através da qual pudessem florescer os talentos individuais. Como resultado, a inconsistência que nos acompanhou por difíceis meses.

Não descarto a possibilidade de estar sendo demasiadamente otimista, mas os últimos resultados dos grandes reds têm empolgado. Que Rafa Benítez aprenda com seus erros (sem que pra isso demore metade de uma temporada) e aperfeiçoe a equipe para 08-09 (se ainda estiver no comando). Por enquanto, continuemos a fazer bonito na Premier League e… que venha a Inter!


3 Responses to “4-3-3”


  1. março 10, 2008 às 3:53 am

    clap clap clap

    excelente texto, papaca.

  2. março 10, 2008 às 8:01 pm

    Parabéns pelo texto.
    Devo concordar que o Kuyt tem jogado bem na nova função, mas vai ter que manter a regularidade até o fim da temporada para merecer a confiança de todos, pois o início da mesma foi mesmo lamentável para o holândes. Terá que provar que merece jogar no Liverpool na parte técnica, já que disposição ele tem de sobra!
    Um abraço!

  3. 3 Carol
    março 11, 2008 às 4:45 am

    Clap clap clap!

    Não descarto a possibilidade de você estar sendo demasiadamente otimista, mas se estiver, estou sendo contigo! hahaha😛
    Belo texto, Didididiii!
    E o Kuyt é foda. No começo da temporada tava como a grande maioria do time, mas nosso menino Kuyt está de volta!

    (E que reposição de bola do Reina no jogo passado! Ooh-la-la)

    ( )concordo
    ( )discordo
    ( )só falou merda
    (X)mandou bem pra caralho
    ( ) não tenho opinião formada

    PS: Que venha a Inter!


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