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10
mar
08

4-3-3

Tendo em vista as boas atuações do Liverpool recentemente, gostaria de chamar a atenção para o sistema que tem dado tão certo. Com o 4-3-3 implementado por Rafa Benítez nas últimas partidas, o Liverpool mostra-se um time mais consistente e capaz de criar boas oportunidades. E quando Torres e Gerrard estão em fase excepcional, as coisas ficam ainda mais fáceis.

Antes de entrar em maiores detalhes, uma discussão conceitual: o esquema dos reds tem sido, mais do que em qualquer oportunidade sob o comando de Benítez, um legítimo 4-3-3. Há quem o veja como um 4-5-1, uma vez que são óbvias as responsabilidades defensivas dos pontas Babel e Kuyt. No entanto, a liberdade ofensiva de ambos tem sido proporcionalmente muito maior, talvez devido à consistência de um meio-campo composto por excelentes meias e à segurança da defesa.

Até por isso, alguns jogadores têm subido de produção. Tal como Gerrard, o holandês Ryan Babel mostra sinais mais positivos do grande jogador que pode vir a ser quando jogamos dessa maneira. Acostumado com tal função no Ajax, quando tem a chance de jogar com maior liberdade, Babel cria oportunidades – para si e para seus companheiros – e contribui para o fim da apatia que o time do Liverpool apresentou durante boa parte da temporada. Liberdade semelhante que o capitão Gerrard experimenta – com uma dupla de contenção gabaritada como Mascherano (em fase excepcional) e Xabi Alonso (voltando à velha forma?), ou mesmo o promissor Lucas, as suas qualidades encontram campo livre para trazerem felicidades à torcida do Liverpool. Mesmo sendo um excelente marcador, e com essa característica contribuindo em diversas oportunidades durante as partidas, é pelo centro do meio-campo, podendo subir ao ataque, que Gerrard joga melhor. Brilham os seus passes precisos, seus chutes certeiros, a sua velocidade e suas inteligentes resoluções para quase todas as jogadas do time.

A velocidade de Babel e Gerrard é também um elemento importantíssimo. Nessa mesma temporada, o Liverpool já entrou em campo com um pretenso 4-3-3. Contra o Chelsea na Carling Cup, os reds iniciaram com Voronin pela direita, Babel pela esquerda e Crouch no centro. Se a falta de confiança na época e a postura quase covarde da equipe contribuíram para que tivéssemos um bizarro 4-5-1, também o fizeram a inaptidão para a posição e falta de agilidade do ucraniano. Sem a devida flexibilidade para mesclar de um 4-5-1 sem a bola para um 4-3-3 quando no controle do jogo, o que se tem é um atacante solitário, cuja solução costuma ser a ligação direta. Em outras palavras, a falta de criatividade.

Dirk Kuyt, por sua vez, ainda que não seja um jogador veloz, está acostumado à função, visto que já a exerceu durante o seu tempo na Holanda. E, pelo que já mostrou no Liverpool, ela parece ser ainda mais propícia ao seu futebol. Mesmo quando joga como um atacante central – seja com um parceiro ou sozinho -, o holandês tem como característica voltar muito para buscar jogo e compor a defesa. Muitas vezes, também não recebe o devido crédito. Contra o West Ham, por exemplo, Kuyt foi o responsável por 2 assistências; no futuro, falarão apenas dos gols que ele não marcou nessa temporada (que, sem dúvidas, vinha sendo péssima para o atacante até a partida contra o Barnsley, quando voltou a se exibir em alto nível). Sua combatividade e grande esforço em prol do time, junto da capacidade de jogar pelas pontas (com cruzamentos e jogadas pela linha de fundo), também potencializam determinadas características e têm feito desse esquema tipicamente holandês um sucesso em Liverpool.

No entanto, também é preciso deixar registrada uma crítica a Rafa Benítez. Mais uma vez, os reds parecem encontrar seus melhores dias quando já é tarde demais na temporada e o título é um sonho distante. Muitos dos erros cometidos se deram por tentativas pouco compreensíveis por parte do treinador. Por exemplo, escolhas questionáveis (como Voronin pela direita) frente a opções óbvias (4-3-3 “holandês” com jogadores… holandeses). Ademais, o entrosamento que o Liverpool vem demonstrando nos últimos jogos (sobretudo a dupla Torres & Gerrard) deve-se em certa medida à diminuição do seu sistema de rotação. Escalações não baseadas na meritocracia (um atacante podia fazer 2 gols em um jogo e não ser titular no próximo) e mudanças exageradas fizeram com que o time não tivesse uma cara própria, através da qual pudessem florescer os talentos individuais. Como resultado, a inconsistência que nos acompanhou por difíceis meses.

Não descarto a possibilidade de estar sendo demasiadamente otimista, mas os últimos resultados dos grandes reds têm empolgado. Que Rafa Benítez aprenda com seus erros (sem que pra isso demore metade de uma temporada) e aperfeiçoe a equipe para 08-09 (se ainda estiver no comando). Por enquanto, continuemos a fazer bonito na Premier League e… que venha a Inter!

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29
jan
08

Rafa: Acerto com Mascherano está próximo

Rafa Benitez espera que a contratação em definitivo de Javier Marcherano possa ser concluída nos próximos dias.

O jogador pretende continuar em LiverpoolO argentino está atualmente em um empréstimo de 18 meses em Anfield, ainda que tanto ele como Benitez tenham manifestado o desejo de tornar tal vínculo permanente por diversas vezes.

Benitez disse: “Estamos progredindo. Rick Parry tem trabalhado nisso e com Momo Sissoko.

“Estamos trabalhando duro com relação ao Mascherano e talvez nós possamos dizer algo de positivo nos próximos dias.

“Na verdade, nós não precisamos fazer nada, porque o jogador já está conosco, só precisamos terminar isso. Se isso puder ser feito agora, seria perfeito.

“Ele já está aqui e se não fizermos nada, ele ainda poderá jogar conosco. Mas ele quer ficar.”

A transferência de Sissoko para a Juventus foi finalizada nessa tarde, e Benitez complementou: “Acho que foi um bom negócio para Momo e para nós. Ele é um grande profissional e um bom garoto. Ele queria jogar e isso é difícil por aqui, com Lucas e Mascherano jogando bem agora, e Xabi Alonso e Gerrard.

“Tudo tem sido positivo. Nós temos quatro jogadores nessa posição, então isso é bom para ele e bom para nós”.

30
ago
07

Arbeloa – Um novo Finnan?

We all dream of a team of Finnans?

Álvaro Arbeloa, o coringa. A despeito do que pode sugerir o título, não pretendo fazer comparações acerca das qualidades de ambos os jogadores, muito embora se pareçam em muitos sentidos – a começar pela posição de origem. Sinto-me no dever, contudo, de chamar a atenção dos caros reds para o polivalente espanhol, e para um fenômeno de nosso clube que dá sinais de repetição.

Por muito tempo, Steve Finnan foi uma figura desvalorizada no Liverpool. Não que estejamos levando em conta a opinião alheia (quem se importa com o que pensam os perdedores?), mas sim a dos próprios torcedores do clube. No decorrer das temporadas, no entanto, ele demonstrou uma regularidade sem igual, que lhe rendeu lugar quase constante na equipe. Não por acaso, também, os contratados para rivalizar com ele pela lateral direita (como Josemi e Kromkamp) fracassaram – e o próprio Arbeloa, o jogador em questão, fora forçado a migrar para a esquerda.

Como um Phil Neal dos novos tempos, Steve Finnan tem sido peça chave para o nosso sucesso. Mas nessa temporada, quando nos orgulhamos de um dos elencos mais completos da Europa, até mesmo ele encontrou competição a altura. Álvaro Arbeloa, proveniente do Deportivo La Coruña, chegou à equipe visto como alternativa emergencial para a lateral direita (que então contava apenas com o irlandês), após o suposto fracasso das negociações por jogadores como Daniel Alves, do Sevilha. A reação mais branda possível a sua quase imediata escalação contra o Barcelona, um dos jogos mais importantes da temporada, foi a de surpresa; no geral – e eu me incluo nesse grupo -, houve choque. Mas Arbeloa mostrou ser capaz de lidar com o desafio, não teve muitas dificuldades em parar o argentino Messi e nos ajudar na classificação.

Desde o primeiro momento, o espanhol deixou clara a sua incrível adaptabilidade. Estreou na lateral esquerda (e aqui entra o mérito de Rafa Benítez, ao confundir não só a nós, torcedores, mas principalmente o adversário), fez excelente partida e facilmente encaixou-se na nossa linha de impedimento, de falhas tão raras. No restante da temporada, fez boas partidas, outras nem tanto (como contra o Chelsea), marcou o seu primeiro gol contra o Reading e me deixou uma impressão positiva.

Para a surpresa geral, Rafa Benítez tem contado com ele em quase todos os jogos do Liverpool da temporada atual, seja na esquerda ou na direita (como anteontem contra o Toulouse). E antes que se possa conspirar sobre um possível favorecimento do treinador aos jogadores espanhóis, há de ser dito: com todo o merecimento. Arbeloa realizou partidas soberbas, sobretudo defensivamente, mas com desenvoltura ao atacar e cruzamentos precisos. Paul Tomkins comparou-o a Rob Jones – técnico, eficiente no desarme e seguro em qualquer lado da defesa.

A constância com a qual Álvaro tem se exibido ultimamente me faz lembrar justamente de Steve Finnan, e por isso empolga. Sabe-se que nem mesmo Kenny Dalglish teria lugar em todos os jogos do Liverpool na temporada sob o comando de Benítez – mas Arbeloa, longe do supremo rei escocês, prova que pode aparecer na equipe com mais frequência do que esperávamos durante a pré-temporada.

O que de mais semelhante seu excelente começo de temporada possui a Finnan, contudo, é a falta do devido reconhecimento – sua desvalorização é um fenômeno que se repete com Arbeloa. Obviamente é cedo para profundas análises, e perdoe esse pobre torcedor se a euforia levar-me à precipitação; mas o coringa espanhol tem sido fantástico e merece elogios. Aplaudamos nossos jogadores quando eles merecem.

E que grande achado de Rafa!